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Voltaire ( o carregador zarolho)

 

Se o Cândido ou o optimismo (1755) é o conto mais célebre de Voltaire (1694-1778), muitos outros merecem ser lidos. É o caso deste delicioso conto, de 1746.

Neste, como em todos os seus contos, temos em acção o espírito humorista de Voltaire, fino, divertido, picante. Sabendo que a vida é uma aventura nem sempre feliz, Voltaire opta por rir dos infortúnios da vida, conseguindo assim a proeza de os tornar mais leves e menos amargos.
O seu estilo inconfundível, receheado de subtilezas irónicas, faz dele um clássico inultrapassável.

Vejamos outras passagens deste conto:

Seria preciso ser cego para não ver que Mesrour era zarolho.(…) Viu por acaso passar numa sumptuosa carruagem uma grande princesa que tinha um olho mais do que ele, o que não o impediu de a achar muito bela e, como os zarolhos não diferem dos outros homens senão que têm um olho a menos, apaixonou-se perdidamente pela princesa. Dirão talvez que, quando se é carregador e zarolho, é melhor a gente não se apaixonar, principalmente por uma grande princesa e, o que é mais, uma princesa que tem dois olhos; no entanto, como não há amor sem esperança, e como o nosso carregador amava, ousou esperar.

  Não estando disponível nenhuma tradução deste conto em português, socorro-me aqui de uma versão brasileira em e.book ( e.book libris, Breves contos de Voltaire)