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ITALO CALVINOO CAVALEIRO INEXISTENTE,

Ed Teorema,  Tradução de FERNANDA RIBEIRO, 1998

Pulpit rock

 

 

Este romance, escrito em 1959, faz parte de uma trilogia fantástica intitulada Os nossos Antepassados.

Dela constam ainda O Visconde Cortado ao meio, (1952) e O Barão trepador (1957).

Qualquer deles é uma pequena obra prima.

O Cavaleiro Inexistente apresenta-nos, na boa tradição do romance clássico, mais um par: Agilulfo, o misterioso cavaleiro da armadura branca e vazia e o seu escudeiro Gurdulú.

Este par, apesar de não se ter imortalizado como outros pares da literatura, banda desenhada ou cinema, vale a pena conhecer e todos os que seguirem as aventuras do cavaleiro e do seu escudeiro, dificilmente os esquecerão.

Como todas as duplas, incarnam dois lados da existência totalmente antagónicos: de um lado, a rigidez do dever, incarnada por Agilufo; do outro, a absoluta ausência dele, na personagem do escudeiro.

Agilulfo, como todo o homem obcecado pelo cumprimento infalível das regras e do dever, protege-se do mundo através de uma armadura   metálica. É o homem que nunca pisará o risco.

Gurdulú, o seu escudeiro, é o homem cósmico, camaleão, em constante metamorfose, que se funde, literalmente, em tudo o que vê ou toca, e que muda de nome consoante as terras que atravessa.

Dois lados do ser humano:

 -- A separação, o abismo entre o eu e o outro/ mundo;

-- A fusão absoluta com o meio e os outros.

A divisão é, entre outros, o tema deste e dos outros contos fantásticos.A divisão vivida no interior de cada um de nós, uma divisão que tentamos contornar,  equilibrar e que muitas vezes falhamos.

A divisão, que faz de nós seres humanos e deste cavaleiro e do seu escudeiro um dos nossos antepassados.