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Rabelais-Pantagruel

FRANÇOIS RABELAIS (1483-1553), Pantagruel, tradução de Aníbal Fernandes ( e apresentação do tradutor), 1997.

PANTAGRUELPantagruel é certamente o gigante mais famoso da Literatura Ocidental.
E isto porque não é um gigante vulgar: se foi inspirado pela literatura popular, a sua particularidade consiste em ser um gigante que se comporta e vive como um homem normal, por entre homens normais. O seu gigantismo é um dos símbolos mais originais das promessas do Renascimento: o antropocentrismo- o homem, o centro do universo. Pantagruel está ávido de saber, de conhecer outros mundos (Descobrimentos), curioso de tudo e de tudo tirando partido humorístico.

Talvez a época actual esteja a assistir a uma revolução semelhante à que viveu Rabelais: a imprensa, a pólvora, as descobertas de outros mundos (e tantas outras descobertas), fizeram do Renascimento um ponto de viragem que encontra neste gigante, herói de uma saga- Pantagruel dá início a uma saga de outros livros em que ele e o seu companheiro inseparável, Panurgo, são os protagonistas- um símbolo único da cultura humanista do Ocidente.

Será que seremos hoje capazes, também, de criar Pantagruéis ou só figuras liliputianas, como aquelas que Gulliver encontrou nas suas viagens?
Esperemos que nasçam por aí alguns exemplares modernos de Pantagruel, apesar das múltiplas ASAES que os chacinam à nascença, movidos pela estranha mania de teimarem em tirar o sal do pão e da vida.
Porque Rabelais teve também a sua ASAE: a Sorbonne, que proibiu todos os seus livros.

Assim é: todas as épocas têm a sua luz e a sua sombra.

Mas a luz vence sempre e é ela que chega até nós com as suas passadas de gigante, o seu apetite pantagruélico pela vida  e as suas gargalhadas  desmesuradas.