Éric Emmanuel Scmitt (1960) é um autor prolixo: dramaturgo, ensaísta, romancista, realizador de cinema, a sua obra desdobra-se em géneros e temas que conquistam todos os dias um público mais alargado, a avaliar pela traduções em mais de 40 línguas. Em Portugal, já por duas vezes José Fonseca e Costa o encenou: Pequenos crimes conjugais em 2003 e O Libertino em 2008.
Como bom discípulo de Diderot- Éric-Emmanuel-Scmitt foi professor de filosofia na Universidade e consagrou a sua tese a este filósofo-escritor- sabe manobrar como ninguém os jogos de palavras, trocadilhos, a fina ironia e o humor.
Entre muitos e variados temas que tem abordado- sempre de uma forma luminosa- o tema da crença é um dos que o tem interessado. Neste livro, que podemos considerar uma fábula moderna, uma espécie de Princepezinho do século XXI, a crença é o tema central.
Na esteira do seu mestre Diderot, cria um par inesquecível: Oscar, a criança doente e a Dama Cor de rosa. Esta conseguirá a proeza de operar na vida da criança um verdadeiro milagre: ver na morte não um fim, mas um princípio, não com temor, mas com curiosidade.
Não se pense, no entanto, que é um livro moral, pejado dos bons sentimentos obrigatórios que correm pelo mundo. Este autor opera, apenas, um milagre: sabendo que todo o leitor tem em si um Oscar, transforma a sua pena numa doce Vóvó Rosa, que nos faz sorrir, ao conseguir desdramatizar a nossa visão trágica da vida. Numa das cartas de Oscar a Deus, diz a criança:
tenho uma coisa para te pedir. Gostava de receber uma visitinha tua. Uma visitinha em espírito. Acho que é fixe. Gostaria muito que me fizesses uma. Estou disponível das oito da manhã âs nove da noite. O resto do tempo estou a dormir. Mas se me encontrares a dormir, acorda-me, não hesites. Era estúpido não nos encontrarmos por causa de uns minutinhos, não achas?
É com esta simplicidade desarmante que Éric-Emmanuel-Scmitt nos desarma.