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Ensaios de Montaigne

 

Montaigne 2Os Ensaios de MONTAIGNE (1533-1592) são, na época, umas obra de uma extrema inovação e ousadia.

Montaigne foi magistrado do Parlamento de Bordéus. Presidente da Câmara de Bordéus por duas vezes, um hábil diplomata e um político influente. Viveu numa época tão promissora pelas novas descobertas como angustiante pelas lutas religiosas que mergulharam a Europa num banho de sangue.

A matéria do livro, diz o autor, é ele próprio, sendo assim considerado, depois das Confissões de Santo Agostinho, escritas onze séculos antes (397-398), o segundo criador do género autobiográfico. A primeira edição, de 1558, é um imenso sucesso.

O tom simples, isento de falsos pudores, o desejo de se conhecer a fundo, sem máscaras, faz desta obra um marco. Os assuntos mais variados são abordados: política, guerra, religião, sexo, amor, casamento, vaidade, amizade, sempre observados a partir de um olhar jocoso e despido de preconceitos.

O tema da memória é um tema que aparece disperso pelos vários capítulos dos Ensaios. Para um homem que, nas suas palavras, se quer sábio e não sabedor, que quer forjar a alma e não mobilá-la, a falta de memória não é uma tragédia, mesmo se Montaigne se queixa frequentemente deste problema.

Por exemplo, no capítulo Da educação das crianças (Três Ensaios, Tradução de Agostinho da Silva, Ed Passagens, 1993), insurge-se contra o saber de papagaio e diz ao leitor, a propósito das citações:
é preciso que se embeba do espírito, não que se decore os preceitos. Pode à vontade esquecer donde os recebeu, mas que os saiba assimilar.

 Da Vaidade, tradução de Dóris Graça Dias, Babel.

O capítulo Dos Livros encontra-se na edição que figura nesta imagem Da amizade e outros ensaios, Tradução de Rui Bertrand Romão, 2009.