GAL

Charles Perrault

CONTOS, PERRAULT
Editorial Estampa, 1997
Tradução Manuel João Gomes e Luiza Neto Jorge

riquet

G.Ripart, Riquet à la houppe

Quem não conhece A Gata Borralheira, O Polergarzinho, O Gato das Botas, A Bela Adormecida e tantos outros contos de Charles Perrault?

No entanto, o mesmo não se pode dizer de Riquete do Topete, um conto que não faz parte das celebridades criadas por este escritor francês (1628-1703).
No entanto, terá sido este conto um dos que inspirou A Bela e o Monstro, escrito por Gabrielle Suzanne Barbot, em 1740. Pois a temática é muito semelhante: a metamorfose operado pelo amor.

Este é um dos temas caros à literatura do século XVII, muito em voga nos salões literários da época: a apresentação de um herói impregnado do ideal medieval cortês, cujo espírito galante, inteligente e requintado, supera todas as adversidades.

Charles Perrault não foi só escritor. Foi advogado e um colaborador próximo de Colbert, ministro do Rei Luis XIV.
Inspirando-se em lendas e contos orais e nos seus mestres gregos e romanos (Apuleio, por exemplo)- como testemunha no prefácio dos contos-, Perrault desenvolveu uma panóplia diversificada de temas que tocam crianças e adultos: o medo do desconhecido, dos poderosos, a oposição pobres e ricos, a luta pela sobrevivência, os dramas familiares- incesto, inveja e rivalidade- ou, ainda, a astúcia e capacidade de manipular, exemplarmente representada no célebre Gato das Botas.

Todas estas temáticas deram origem a contos que têm sido, ao longo dos séculos, uma constante fonte de inspiração: ilustrações, filmes, re-escritas várias e comédias musicais renovam, todos os anos, este material inesgotável e fértil de imaginação.
Quem imagina que a actriz Catherine Deneuve já foi uma célebre heroína de um destes contos? Aconteceu em 1970, num filme de Jacques Demy, em que representa o papel da jovem Princesa Pele de Burro, um conto em que o tema central é o incesto.

Riquete do Topete, ( Riquet à la Houppe) é um dos maravilhosos contos de Perrault que relemos hoje, espantados, pela beleza das descrições e pela forma concisa e arguta com que desenvolve temas universais, sempre com um sentido único de observação e de ironia.