Este relato da fuga foi publicado pela primeira vez em 1788, redigido em francês, a língua em que escreveu as suas Memórias, a que deu o nome de História da minha vida.
Pode também ler-se a história desta fuga na edição publicada em 2013, pela Divina Comédia Editores com tradução e notas de Pedro Támen e seleccção e organização de Miguel Viqueira.
A reacção à arbitrariedade da sua prisão, a prodigiosa criatividade e engenho demonstrada nos seus planos de fuga, o seu amor desvairado pela liberdade que o expõe a perigos mortais, tudo isto faz deste livro uma leitura empolgante. A par das peripécias que nos prendem ao desenrolar da sua aventura, uma série constante de reflexões sobre a natureza humana, sobre os extremos a que qualquer ser humano pode chegar em situações adversas, sobre a a metamorfose que se opera num ser humano desesperado, tudo isto faz com que, depois de lido uma vez, a ele regressemos uma e outra vez, à procura de inspiração e de motivação.
É a partir desta fuga que Sándor Márai, escritor húngaro ( 1900-1989), escreve o belíssimo romance A Conversa de Bolzano. Sandór Márai diz, no prefácio: não foi a vida mas o carácter romanesco do herói a interessar- me.
As primeiras páginas deste romance, que inicia com a fuga de Casanova da prisão, são mágicas. Nelas lemos o regozijo geral que se espalha pela população, quando começa a correr a notícia da evasão de Casanova
toda a gente se regozijava com a sua evasão (…) porque houvera alguém mais forte que a tirania, do que as pedras, do que as cadeias e do que os telhados de chumbo.
