GAL

Carlo Cipolla

 

Tradução: Joaquim Soares da Costa (2008).
cipollaEste pequeno ensaio sobre a estupidez é o segundo deste livro. O 1º intitula-se O papel das especiarias (e da pimenta em particular) no desenvolvimento económico da Idade Média.

O espírito que os anima é o espírito humorístico. Não é, assim, por acaso, que o prefácio deste livro se debruça, precisamente, sobre o humorismo. O trágico, diz, não é difícil de compreender nem de definir. Da mesma forma, a seriedade é, também, uma qualidade relativamente fácil de compreender e apreciar.

Mas o mesmo não se pode dizer do cómico e do humorismo, predicado bastante raro entre os seres humanos.
Bastante difícil de definir, um ponto é fundamental: o humorismo não deve implicar uma atitude hostil mas antes uma profunda e sempre indulgente simpatia humana.
Assim, Cipolla distingue o humorismo da ironia: quando alguém faz ironia ri dos outros. Quando faz humorismo ri com os outros.

Por que razão começa o autor por estas reflexões? É fácil de perceber. Pois alguém que escreve um ensaio sobre a estupidez, teria de partir do princípio que não é estúpido e assim, passaria por arrogante e presunçoso. Ora, tal não é o espírito deste ensaio em que todos nos revemos, afinal, tantas vezes como estúpidos.

O espírito de que parte, diz, não é nem fruto do cinismo, nem um exercício de derrotismo social, apenas uma tentativa de neutralizar uma das formas mais poderosas e obscuras que impedem o aumento do bem-estar e da felicidade.

Trata-se, pois, de uma espirituosa invenção que nada tem de muito pessoal, pois confessa ainda no prefácio ter tido a sorte de a esmagadora maioria das pessoas com as quais mantive contactos foram, de um modo geral, generosas, boas e inteligentes.Espero que, ao lerem estas páginas, não se convençam de que o estúpido sou eu.