GAL

Alberto Júlio Silva

santosOs Santos permanecem para muitos como pessoas raras, misteriosas e desconhecidas, de quem se fala mas de cuja vida pouco se conhece, eis as palavras do prefácio que abre este livro.
Assim, esta obra serve para nos familiarizar com eles,  de uma forma fácil, agradável e leve.
Para nos familiarizar com os Santos e com nós próprios, também, pois muitos Santos carregam com eles uma dimensão mítica- um modelo de vida que nos interroga, inspira e tantas vezes espanta- e que está na origem do género Hagiográfico. Hagiografia vem do grego: hagios, santo e graphía, escrever.

É certamente esta dimensão mítica que leva, como nos relembra o autor na sua Introdução, autores realistas como Eça de Queirós e Flaubert, a escreverem vidas de Santos. Pois a literatura só se cumpre enquanto projecto ficcional, mítico, e talvez por isto os escritores realistas sentissem o “esgotamento” do projecto que orientou o Movimento Realista, contornando-o, assim, através da Hagiografia, de forma a  cumprirem o que de mais específico propõe a literatura: ser ficção, lenda ou legenda.
Com efeito, Importa também esclarecer um termo recorrente na hagiografia: a palavra LENDA ou LEGENDA. Tanto a Passio como a Vita foram englobadas pelo designativo comum de Legenda Sanctorum, isto é, Histórias dos Santos. Dada a transformação semântica do termo legenda, que o uso português corrente transformou em lenda, é fatal que esta palavra traga consigo o desvio de sentido que muitas vezes classifica as Legendae Santorum como um conjunto de textos piedosos, totalmente fantasiados. Não e forçosamente assim, Na literatura hagiográfica, o termo legenda manteve o seu sentido original: à letra, histórias para serem lidas, textos para serem lidos. Afinal, o mesmo sentido diferenciado que em português o termo “legenda” mantêm.

Este livro revela, também, algumas surpresas. Mesmo aqueles que pensam conhecer na ponta da língua a história de alguns santos mais emblemtátocos, como S. Francisco de Assis- que inspirou o cineasta Rosselini- , terão algumas surpresas: É quase um desafio á razoabilidade teimar que o nome de baptismo de Francisco era … João. Mas é verdade: João Bernadone.
Deixo-lhe a si, leitor, o prazer de descobrir e esta e outras surpresas que este livro nos revela.